13.2.07

(À doce Mariana.)


Poemeto Infantil Com Rimas De Mesmo Tom


Sonhei que um dia fosse minha
Doce flor que eu tocasse
Que em mim se completasse
Que não fosse mais sozinha

Esse sonho natural
Que de pouco eu esperara
É agora o mais real
O futuro me afortunara

Com você, dócil menina
A luz em mim refloresce
O luzir do amor ilumina
O meu padecer que decresce

Primavera se fez em mim
E só a ti agradeço
Depois de um longo inverno
Enfim um descanso mereço.



 

9.2.07

Escritos sem compromisso.


Exatamente o que se lê. Nenhum compromisso há aqui de que eu faça algum sentido para aquele que me lê, escrevo apenas para que não haja uma implosão de idéias, algo que me venha destruir. Por isso, escrevo aos jorros sem me preocupar com a poética que possa haver na prosa, muito menos com o sentido que esses meus sussurros impressos possam ter.

E o prazer que eu tenho é exatamente esse, depois de medíocres cinco linhas, nas quais não disse coisíssima nenhuma, registro o alívio. O papel sempre foi o melhor dos padres, isso mesmo. Aquele que te ouve com tanta perfeição que é capaz de registrar cada palavra por você proferida e mesmo depois de todos os erros por ele ouvidos não esboça o mínimo ato de reprovação. Muito pelo contrário, o registro, se bem feito, e o silêncio passivo desse “padre”, juntos, parecem nos fazer um convite a conversar mais, a escrever mais, a gravar cada erro. Como se dissessem que a partir dali é com eles. Que nada daquilo nos pertence mais, o que se escreve se perde, se deixa, há quem diga que se ganhe, que escrevendo ganha-se a imortalidade. Mas quem disse que mortalidade é maldição? Afinal o orgasmo tem seu fim, por que haveria de não tê-lo? Cada um na sua (ótica). Então... Rasguemos as batinas e plantemos hectares e mais hectares de eucalipto!

Eu aprendi na sala de aula que tal espécie humana é tão absurdamente social que nasceu com o dom inerente da linguagem. Feitos pra falar, pra expor idéias, pra junto com os outros “macacos” trocarem sinais sonoros, e ainda que não sonoros, trocarem sinais, pinturas em cavernas ou pichações que emporcalham nossos muros, todos são sinais, vozes que buscam ouvidos ou olhos e mesmo que não os encontrem já encontraram o prazer do desabafo ou da tentativa de registro de um pensamento, descoberta etc. Logo se conclui que não se trata apenas de uma vaidade, mas sim de uma necessidade.

Ainda na falta de compromisso eu digo, em que outro território, que não no escrito, é permitida a plena liberdade? Sim, em que outro lugar você se sente seguro pra reinventar a realidade, xingar sem pudor, criticar, “literar”...? Onde? Onde mais seus devaneios são válidos?

Sejam bem-vindos ao BRANCO do seu papel. Divirtam-se.



Abraços.